Trump aceita cessar-fogo de duas semanas com o Irã e recua de ameaça de “destruir toda uma civilização”.

Alberto Dias
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou nesta terça-feira um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, a poucas horas do prazo estipulado para que Teerã reabrisse o Estreito de Ormuz, sob risco de sofrer ataques severos contra sua infraestrutura civil.

O anúncio feito por Trump nas redes sociais marcou uma mudança brusca em relação ao tom adotado no início do dia, quando ele havia feito um alerta extremo de que “uma civilização inteira morreria naquela noite” caso suas exigências não fossem cumpridas.

O Irã informou que as negociações com os EUA começarão na sexta-feira, em Islamabad, com mediação do primeiro-ministro do Paquistão. A TV estatal iraniana afirmou que Trump aceitou os termos do país, classificando a decisão como um “recuo humilhante”.

Trump afirmou que o acordo de última hora dependia da suspensão do bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, declarou que o país interromperia os contra-ataques e garantiria passagem segura na região.

O ex-presidente destacou que o cessar-fogo seria “de dupla face” e alegou que os objetivos militares já haviam sido alcançados, com avanço rumo a um acordo de paz duradouro no Oriente Médio.

O conflito, em sua sexta semana, já deixou mais de 5 mil mortos em diversos países, incluindo mais de 1.600 civis iranianos, segundo dados oficiais e organizações de direitos humanos.

VINCULADO À REABERTURA DO ESTREITO

Autoridades dos EUA confirmaram que Israel aderiu ao cessar-fogo de duas semanas e suspenderia os ataques, condicionando a trégua à reabertura do Estreito de Ormuz. Ainda assim, mísseis iranianos foram detectados logo após o anúncio.

Trump afirmou que o avanço nas negociações, com base em uma proposta do Irã, motivou o acordo e sinalizou expectativa de um acerto definitivo durante a trégua. A decisão trouxe alívio aos mercados, com alta nas bolsas e queda significativa no preço do petróleo.

MUDANÇA REPENTINA

O anúncio de Trump encerrou um dia marcado por forte tensão, após ameaças de destruir pontes e usinas no Irã caso o país não reabrisse o estreito. A postura gerou preocupação entre líderes mundiais, abalou os mercados globais e provocou críticas de autoridades internacionais, incluindo a ONU e o papa.

Especialistas em direito internacional alertaram que ataques à infraestrutura civil podem ser considerados crimes de guerra.

O fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por grande parte do fluxo mundial de petróleo, elevou os preços e aumentou o risco de desaceleração econômica global, com possibilidade de impactos prolongados mesmo após sua reabertura.

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