Na Alemanha, o presidente afirma que não se pode admitir “ingerência” sobre o Brasil.
Os Estados Unidos acusam o delegado Marcelo Ivo, da Polícia Federal, de manipular sistemas de imigração.
Em Hannover (Alemanha), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta terça-feira (21) que o governo brasileiro poderá adotar medidas contra agentes dos Estados Unidos em território nacional, caso seja comprovado algum tipo de abuso contra Marcelo Ivo, adido da Polícia Federal em Miami e alvo das autoridades americanas.
Ivo esteve envolvido no caso que resultou na prisão do ex-delegado federal e ex-deputado pelo PL, Alexandre Ramagem, na semana passada, pelo ICE, agência de imigração dos Estados Unidos. Considerado foragido da Justiça brasileira, Ramagem foi liberado dois dias depois, na quarta-feira (15).
Durante agenda em Hannover, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista coletiva ao lado da chanceler da Alemanha, após reunião de consultas governamentais entre os dois países.
Ao comentar o caso envolvendo um policial brasileiro, Lula afirmou que o governo ainda apura os fatos, mas sinalizou possível reação diplomática. “Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso das autoridades americanas com nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com os deles no Brasil”, declarou, ao deixar o hotel onde estava hospedado.
O presidente participou da Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, que nesta edição teve o Brasil como país homenageado.
Na ocasião, Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância do respeito nas relações internacionais. “Queremos conduzir tudo da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar esse tipo de ingerência que alguns personagens tentam impor ao Brasil”, afirmou o presidente, antes de seguir para a etapa final de sua viagem à Europa, em Portugal.
Na segunda-feira, o governo de Donald Trump declarou que um funcionário brasileiro teria atuado para manipular o sistema de imigração e “contornar pedidos formais de extradição”, além de “prolongar perseguições políticas” em território dos Estados Unidos. Marcelo Ivo deve retornar ao Brasil nesta terça-feira (21).
Em publicação oficial, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil afirmou que nenhum estrangeiro pode interferir no sistema de imigração do país para evitar processos formais de extradição ou estender disputas de caráter político. A nota informa ainda que foi solicitada a saída do funcionário brasileiro envolvido, sob a alegação de tentativa de manipulação do sistema.
Luiz Inácio Lula da Silva defende reciprocidade após medida do governo de Donald Trump envolvendo policial brasileiro
Na Alemanha, o presidente afirma que não se pode admitir “ingerência” sobre o Brasil.
Os Estados Unidos acusam o delegado Marcelo Ivo, da Polícia Federal, de manipular sistemas de imigração.
Um comunicado com o mesmo teor também foi divulgado pelo escritório de relações ocidentais do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Após a prisão do ex-deputado, no dia 13, a Polícia Federal informou que a ação ocorreu de forma conjunta entre Brasil e Estados Unidos. Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, à época, que a detenção pelo serviço de imigração teria sido motivada por uma suposta infração de trânsito leve.
Antes da manifestação do presidente, o chanceler Mauro Vieira lamentou o episódio. Segundo ele, o delegado da Polícia Federal que atuava em Miami exercia suas funções em cooperação direta com autoridades americanas, com base em um acordo formal entre os dois países. “Todos tinham conhecimento e atuavam de forma conjunta”, destacou o ministro, acrescentando que o governo brasileiro aguarda esclarecimentos oficiais sobre a medida adotada.
Ao lado de Vieira, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que integra a comitiva presidencial na Alemanha, afirmou que Marcelo Ivo atuava há cerca de dois anos em Miami, desempenhando atividades policiais semelhantes às realizadas pelo Brasil em diversos países. Ele também negou que o delegado esteja sendo substituído antes do prazo previsto para o encerramento de sua missão.
Durante passagens por Hannover e Barcelona, escala anterior da viagem à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas à atuação dos Estados Unidos no conflito envolvendo o Irã. “Trump não foi eleito imperador do mundo”, declarou, em entrevista à imprensa alemã. Nesta terça-feira, o presidente voltou a defender a necessidade de reforma do Estatuto e do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, pauta recorrente em seus discursos recentes.
Em Portugal, Lula foi recebido pelo primeiro-ministro Luís Montenegro e, posteriormente, participou de um almoço com o presidente António José Seguro.
A comitiva brasileira tem retorno previsto ao Brasil ainda nesta terça-feira.