Estudo mostra que 37,8% acreditam que vídeo de Michelle prejudica Flávio Bolsonaro

Alberto Dias
6 min leitura

SÃO PAULO – Uma pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada nesta quinta-feira (2), aponta que 37,8% dos eleitores acreditam que o vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) relata ter sido “humilhada” pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prejudica significativamente uma eventual candidatura dele à Presidência da República. Outros 26,3% avaliam que o episódio provoca um impacto negativo, embora em menor intensidade.

Por outro lado, 7,1% dos entrevistados consideram que a repercussão fortalece a imagem política de Flávio Bolsonaro, enquanto 2,1% entendem que o efeito positivo é moderado. Para 22,4%, o episódio não interfere em uma possível campanha presidencial, e 4,4% afirmaram não ter opinião formada sobre o assunto.

O levantamento também investigou a percepção dos eleitores sobre a relação de Michelle e Flávio com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para 38,3% dos entrevistados, o senador é quem demonstra maior alinhamento às orientações políticas do ex-presidente. Já 15,5% acreditam que Michelle é a figura mais fiel, enquanto 30,9% entendem que ambos possuem o mesmo grau de lealdade. Outros 15,3% não souberam responder.

A pesquisa foi realizada entre os dias 26 e 30 de junho, por meio de entrevistas com 4.999 eleitores recrutados de forma digital e aleatória. O levantamento possui margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.

Segundo os dados divulgados, 78% dos participantes afirmaram ter assistido ou tomado conhecimento do vídeo envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, enquanto 22% disseram desconhecer o conteúdo.

Entre os entrevistados que afirmaram ter assistido ao vídeo, 38,3% disseram concordar mais com o posicionamento de Michelle Bolsonaro. Já 20,6% declararam apoiar a versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro. Outros 21,4% afirmaram concordar parcialmente com ambos, enquanto 19,6% não souberam ou preferiram não opinar.

A pesquisa também avaliou a importância do apoio político de Michelle para uma eventual candidatura de Flávio à Presidência da República. Para 28,9% dos participantes, esse apoio é considerado muito importante. Outros 26,5% classificaram a participação da ex-primeira-dama como importante, enquanto 16,3% a consideram pouco relevante e 11,7% disseram que ela não teria importância. Cerca de 16,6% dos entrevistados não responderam.

No vídeo divulgado em 24 de junho, Michelle afirma ter sido tratada de forma grosseira e desrespeitosa por Flávio Bolsonaro. Segundo o levantamento, 59,6% dos entrevistados acreditam nas declarações da ex-primeira-dama, enquanto 29,3% demonstram descrença. Outros 11,3% afirmaram não ter opinião formada sobre o assunto.

A pesquisa também abordou a divergência entre os dois em relação ao cenário político no Ceará. Michelle manifestou oposição ao apoio de Flávio Bolsonaro ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) para o governo estadual, defendendo, em contrapartida, o nome do senador Eduardo Girão (Novo). Nesse ponto, 53,8% dos entrevistados disseram concordar com a posição de Flávio, enquanto 36,7% apoiaram o entendimento de Michelle. Outros 9,5% não responderam.

Questionados sobre a divulgação do vídeo, 51% dos eleitores afirmaram concordar com a decisão de Michelle de tornar pública a gravação. Em contrapartida, 35,1% desaprovaram a iniciativa, enquanto 13,7% não souberam opinar.

Ao serem perguntados sobre a motivação da publicação, 38,6% acreditam que Michelle agiu por desejar disputar a Presidência da República no lugar de Flávio Bolsonaro. Outros 28,5% entendem que a intenção foi apenas expor divergências de ordem política e pessoal, enquanto 22,3% avaliam que a divulgação teve como objetivo ampliar sua influência dentro do partido. Os demais, 10,7%, não souberam responder.

Pesquisa avalia cenário para sucessão de Bolsonaro

Entre os eleitores que declararam voto em Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, a maioria considera que o senador Flávio Bolsonaro é o nome mais indicado para representar o grupo político em uma futura disputa pela Presidência da República. Segundo a pesquisa, 81,9% dos entrevistados preferem que ele assuma esse papel, enquanto 14,7% apontam a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como a principal alternativa.

O levantamento da AtlasIntel também investigou quem os eleitores identificados com a direita consideram o sucessor político mais apto a liderar o campo conservador. Flávio Bolsonaro aparece na liderança, com 43,2% das citações.

Na sequência, figuram o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), com 18,4%; o empresário Renan Santos, do Movimento Missão, com 14,5%; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 8,6%; e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que registra 4,5% das preferências. Michelle Bolsonaro soma 3,9% das menções.

Também foram lembrados o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 3,5%; o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 1,4%; e o deputado federal Aécio Neves (PSDB), citado por 0,4% dos entrevistados. Outros 1,6% mencionaram nomes diferentes dos apresentados na pesquisa.

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