A Polícia Civil do Amazonas abriu um inquérito para investigar as circunstâncias da morte do artista alegórico Jone Salgado Martins, conhecido como “Nico”, de 45 anos. Ele morreu após cair de uma altura de aproximadamente 12 metros enquanto trabalhava na montagem de uma alegoria da Ciranda Flor Matizada, no Parque do Ingá, em Manacapuru.
De acordo com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, as informações iniciais indicam que o trabalhador não utilizava equipamentos de proteção individual no momento do acidente. A pasta informou que capacete e cinto de segurança estavam disponíveis no local e que uma inspeção preventiva realizada pelo Corpo de Bombeiros havia identificado a presença dos equipamentos necessários para atividades em altura.
Informações preliminares apontam que Nico estava na parte superior da estrutura alegórica quando perdeu o apoio e caiu. Testemunhas relataram que ele realizava uma movimentação na alegoria e não estaria conectado adequadamente ao sistema de ancoragem do cinto de segurança. As circunstâncias, no entanto, ainda serão apuradas oficialmente pela Polícia Civil.
O delegado responsável pela Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Manacapuru deverá ouvir testemunhas, responsáveis pela montagem da alegoria, integrantes da Ciranda Flor Matizada e representantes dos órgãos envolvidos na realização do festival.
A investigação também deverá verificar se todas as normas de segurança do trabalho foram cumpridas e se houve eventual responsabilidade de empresas, coordenadores ou outros responsáveis pela atividade.
Após uma reunião entre representantes da Secretaria de Cultura, Prefeitura de Manacapuru, Polícia Civil, Ministério Público do Amazonas, Corpo de Bombeiros, SSP-AM, Crea-AM e dirigentes das cirandas, foi decidido que a Flor Matizada participará do festival, mas não disputará a pontuação da competição.
A medida foi adotada em respeito à memória do artista alegórico e aos familiares da vítima.
O acidente voltou a colocar em discussão as condições de segurança durante a montagem e apresentação de alegorias em Manacapuru. Em 2022, uma estrutura da própria Ciranda Flor Matizada desabou durante uma apresentação, provocando a morte de Vivian Ramos da Silva e deixando dezenas de pessoas feridas.