A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou ao Estadão que a companhia prevê concluir a perfuração do poço Morpho, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, ao longo do mês de agosto. No entanto, segundo ela, os trabalhos podem se estender até a primeira semana de setembro. “Mas não vamos entrar em outubro”, garantiu.
De acordo com a executiva, a perfuração de um poço pioneiro em uma região ainda pouco explorada, como a Margem Equatorial, exige uma condução cuidadosa e criteriosa. Magda destacou que a Petrobras não trabalha com pressa na operação, mesmo diante da expectativa pela identificação de possíveis reservas de petróleo na área.
“A previsão máxima que temos é concluir a perfuração em agosto. Existe a possibilidade de os trabalhos avançarem até a primeira semana de setembro, mas não há qualquer indicação de que a operação se estenda para outubro”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
A executiva destacou que é comum que a identificação de reservas de petróleo em novas fronteiras exploratórias demande tempo e diversas perfurações. Como exemplo, citou a Bacia de Campos, responsável por sustentar a produção da Petrobras por muitos anos antes do pré-sal, onde foram necessários nove poços até a primeira descoberta. Outro caso foi o campo Fazenda Pocinha, no Rio Grande do Norte, que registrou 55 perfurações na Bacia Potiguar antes da confirmação de óleo.
“Não estamos com pressa. O trabalho está sendo conduzido com todo o cuidado necessário, mas nossa expectativa continua sendo finalizar a perfuração em agosto”, reforçou.
Restam 500 metros até o reservatório
Durante o evento Sergipe Óleo e Gás 2026, realizado na quarta-feira, a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, informou que a estatal deve alcançar o reservatório do campo de Morpho nas primeiras semanas de agosto. Segundo a executiva, a sonda ODN II está a cerca de 500 metros da profundidade prevista para atingir a formação geológica que poderá confirmar a presença de petróleo na região.
Desde o início da perfuração, a Petrobras tem evitado estabelecer uma data definitiva para a conclusão dos trabalhos no poço Morpho. Por se tratar de uma área ainda pouco conhecida e de um poço exploratório pioneiro, existe a possibilidade de não haver descoberta de petróleo, o que exige uma operação conduzida com cautela. Esse posicionamento já havia sido destacado pela diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da estatal, Renata Baruzzi, em entrevista ao Estadão, em meados de julho.
Inicialmente prevista para ser concluída em julho, a perfuração precisou ser estendida após um vazamento de lama de perfuração registrado no fim de janeiro. O incidente provocou a suspensão temporária das atividades e atrasou o cronograma em pelo menos um mês. A retomada dos trabalhos também dependeu da autorização do Ibama, o que contribuiu para ampliar o prazo da operação.
De acordo com informações apuradas pela reportagem, a perfuração segue dentro do esperado e não há registros de intercorrências relevantes no poço Morpho. No entanto, a grande profundidade e as características geológicas ainda pouco conhecidas da região exigem um ritmo mais cauteloso, alimentando especulações sobre eventuais dificuldades para alcançar o reservatório ou até mesmo sobre a inexistência de petróleo no local — uma possibilidade considerada normal em campanhas exploratórias.
Em fevereiro, a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, reforçou que a atividade faz parte do processo natural de exploração. “Se encontrarmos petróleo, teremos alcançado o objetivo. Caso contrário, vamos aprofundar os estudos e poderemos retornar à área em outro momento”, afirmou.